ARTES PLÁSTICAS E VISUAIS


A MONTANHA DOS URSOS

Este é o título da minha primeira experiência com artes plásticas.

O desenho, a modelagem e a escultura eram muito presentes na minha infância. 

Eu brincava com os restos de obra do meu pai e restos de costura da minha mãe. Adorava reinventar as coisas, sobretudo as que me rodeavam. Foi com sobras de tinta esmalte que compus minha primeira tela "A Montanha do Ursos". 

A inspiração veio de um filme. Nele a protagonista, completamente perturbada com sua existência, produzia telas abstratas e gestuais em busca de si mesmo, de se compreender, encontrar, expressar e existir. Achei importante e propício e funcionou em mim.

Percebi no abstrato o resultado do dentro, ele virava gesto e aquilo me fez bem. Aquela bagunça organizada no acaso, o descontrole e o desejo aliados ao incompreensível, construíam um universo particular e meu, e vi que era bom. 

Esta tela ficou exposta durante anos na sala da minha mãe e depois no meu quarto, e então na exposição de novos talentos nos corredores da UFMS, onde posteriormente eu ingressei no curso de Artes Visuais.


Depois vieram outras, agora já como estudos:


O primeiro foi este com tinta espessa e gestual acentuado. 


Sob orientação, busquei referências no meu cotidiano, e, ele era carregado de seres do além, vozes na cabeça e visões. Eu vivia um estado particular de mediunidade. Era complicado ser uma pessoa paranormal em uma família presbiteriana. A pintura mais uma vez foi companheira e plataforma de expressão. A pintura funcionava em mim. Encontrei nela uma aliada para dizer o indizível e ser o improvável.


Minha primeira natureza morta deu o que falar na sala de aula, vinham alunos de outras salas para verem o resultado. Acho realmente que nao era bem a natureza morta propriamente dita, mais sim sua releitura. "A Pintolândia" como disse a professora, me rendeu boas horas de vivênias e troca de experiênia om outros alunos. Minha insanidade, irealidade, inércia e epírito onírico sempre me acompanharam. Eu sabia o que estava fazendo e falando, sabia onde queria chegar. E era só isso. Na fase dos estudos eu gostei bastante dos desenhos e gravuras.








Mais logo veio a primeira série, a partir de um projeto de artes visuais, com portifólio, memorial descritivo e um resultado que me encantou muito: "Jorapimo" uma exposição onde eu revia as memórias e obras de um dos artistas mais renomados e expoentes da arte sul-matogrossense, a primeira fase da série era bastante velada, escura, já a segunda bastante lara e colorida em uma paleta que me impressionou muito na cidade branca, Corumbá, onde Jorapimo vivia. A terra a aguá, as plantas, o entardecer, a influência dos vizinhos Bolivianos.
A exposição aconteceu na Galeria do Banco do Brasil e eu dividi a noite com minha amiga Leila Mariano (in memorian). As obras que compunham esta exposição eram as da primeira fase, a fase esura , velada (acima, omigo no centro). A fase clara e colorida veio depois que estive em Corumbá e vivi de perto o entardecer pantaneiro. O som das imagens. As formas das sabores. A poesia do ar. 
Jorapimo:

Sexualidae Velada:
Minha primeira exposição individual foi um escândalo. "Sexualidade Velada", tema desconfortante, pesquisa rompante e portifólio lacrado compunham o projeto que fora aprovado pela Galeria do Banco do Brasil. Os catálogos da exposição foram patrocinados pela empresa MB Vídeos, uma vez que a até então o apoiadora e incentivadora de meus projetos,a UFMS se recusou a imprimí-los em sua gráfica.

Parecia este um sinal, no entanto para mim um sinal a contento: o projeto que lidava com um grande taboo humano começava a funcionar. Só não esperava que funcionasse tanto. 

No dia da abertura da exposição, com toda curadoria feita, telas posicionadas, divulgação na mídia, coquetel contratado e convidados, um dos diretores do Banco passava por ali quando visualizou a exposição ainda em final de montagem, sem as cortinas de acesso que cada tela tinha e pelo jeito não gostou. Mandou cancelar a exposição. Catarse ou cultura? a Direção da Galeria do Banco do Brasil atpe hoje nao se manifestou.           
                 
O fato se tornou histórico e logo contribuiu para que minhas obras fossem divulgadas sem mesmo terem sido vistas.

Depois de dez anos guardadas em meu acervo pessoal, foram expostas ao público na Casa Teatro Circo. Algumas das obras da série eram inéditas até então. Umas fazem parte dos estudos que realizei para a composição maior e outras estudos de suporte. As vezes me pego a admirá-las e observar o quanto tem nelas da essencia que eu buscava, da linha, da textura da cor, da forma, da luz, e do desepero de minha própria  arrogância.  

Primeiros e nem por isso menos importantes os estudos em papel sobre tecido resultaram em mais arrojadas texturas de suporte, que os aplicados em tecido e suporte rígido de eucatex.